Daniel Camargos - Estado de Minas
Toyota insiste em não fazer o recall do Corolla nacional. Mas, mesmo quem tem outros modelos deve aprender a controlar um veiculo com o acelerador agarrado
| Marlos Ney Vidal/EM/D.A. Press |
Pensar em maneiras de parar um carro com o pedal do acelerador agarrado pode parecer uma situação nonsense, principalmente no século 21, quando a discussão sobre as tecnologias automotivas apontam para caminhos de vanguarda. Entretanto, a realidade exige que o motorista tenha esse conhecimento para se safar dos erros de projeto. Vide o caso Toyota, que se depara com a maior crise de sua história e em meio a uma série de recalls, paralisação de produção, pedidos de desculpas, erros assumidos e vê sua imagem profundamente arranhada (leia quadro abaixo) e faz as contas de um imenso prejuízo financeiro.
Como no Brasil a fábrica não tomou nenhuma atitude, mesmo com os relatos de casos graves (cinco foram publicados no Estado de Minas/Vrum), sendo que um chegou a provocar a perda total do veículo, a melhor forma é saber como parar o carro caso ele saia acelerado. A orientação da Toyota norte-americana é a seguinte:
- Manter o pedal do freio acionado com ambos os pés. Não bombear o pedal do freio, pois isso reduz o vácuo utilizado na frenagem.
- Se o veículo for automático (como ocorreu em todos os relatos dos Corollas brasileiros), mudar o câmbio para a posição neutro (N), parar o carro e desligar o motor.
- Caso não consiga mudar para o neutro, desligue o carro, isso não faz perder a direção e o freio, embora deixe ambos mais duros.
- Ao desligar o veículo, não retire a chave, apenas vire, para evitar o travamento da direção.
O professor de engenharia mecânica e um dos coordenadores do Centro de Tecnologia da Mobilidade da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fabrício Pujatti, explica que, caso o veículo não seja automático, o motorista deve pisar nos pedais de embreagem e de freio. Pujatti entende as orientações da Toyota como uma forma de evitar o pânico (e também acidentes). Porém, ele ressalta que a central eletrônica do modelo é programada para cortar o giro do motor e que desligar o carro deve ser uma última alternativa.
Isso porque, quando o câmbio está na posição neutro e com a aceleração disparada, a central eletrônica corta a injeção de combustível a um determinado patamar 7.000rpm, no caso do Corolla, segundo informação da Toyota. Caso o motorista desligue o carro, o freio perde a servo-assistência e fica mais pesado, o que pode tornar mais penosa a tarefa de parar.
É importante ressaltar que o problema somente ocorre nos modelos equipados com acelerador eletrônico. A Toyota passou a equipar o Corolla brasileiro com essa tecnologia, chamada de drive-by-wire, em março de 2008, que já foi lançado como modelo 2009.
Prejuízo
Desde que anunciou o recall do pedal do acelerador, a Toyota já perdeu cerca de US$ 30 bilhões, que corresponde a 20% do valor da montadora. O custo do recall é estimado em R$ 2 bilhões. Sobre os casos relatados com o Corolla brasileiro, a Toyota, via assessoria de imprensa, afirma que os carros passaram por um equipamento de diagnose, nas concessionárias, e que não foi detectada nenhuma anomalia e reafirma que o problema de todos ocorreu porque o tapete não estava fixado corretamente.
Freio
Além dos problemas com o acelerador, a montadora japonesa admitiu nessa semana problemas com o sistema de freio do Prius 2010. O modelo não é comercializado no Brasil, mas é tratado como uma das joias tecnológicas da marca, por ser o híbrido mais vendido do mundo. O problema do freio é no software, que se manifesta em terrenos acidentados.
| Patricia Correa/Arquivo Pessoal |
| O Corolla de Patrícia Correa sofreu perda total em acidente em Belo Horizonte |
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