Paula Carolina - Estado de Minas
Programa que prevê selo nos veículos, semelhante ao de eletrodomésticos, ainda não emplaca. Dos fabricantes que aderiram, somente Kia faz divulgação, mas bem tímida
Nem consumidores nem revendedores sabem e fabricantes não divulgam. Três meses depois de anunciado o consumo dos primeiros veículos cujos fabricantes aderiram ao Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBE), falta informação de todas as espécies. A etiqueta, que já poderia estar nos veículos zero quilômetro, a exemplo dos eletrodomésticos (geladeiras, fogões, aquecedores) e que até poderia ser um argumento a mais de venda, praticamente não foi adotada. As tabelas com medição de consumo, que deveriam estar disponibilizadas nos pontos de vendas, não foram repassadas às concessionárias. Vendedores, supervisores e gerentes têm um vago conhecimento sobre o assunto, mas, na maioria das vezes, porque souberam pela imprensa. E os consumidores, por sua vez, também não questionam na hora de comprar.
O PBE Veicular foi anunciado no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro do ano passado, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e teve a primeira etapa concluída em abril deste ano, quando foi divulgado o consumo de 31 modelos dos cinco primeiros fabricantes a aderir ao projeto: Fiat, General Motors, Honda, Kia e Volkswagen. É regulamentado pelo Inmetro, em parceria com a Petrobras e tem o objetivo de divulgar o consumo por meio de etiqueta semelhante à dos eletrodomésticos. Os carros são testados em laboratório credenciado pelo Inmetro e classificados, de A a E, conforme categoria - subcompacto, compacto, médio, grande e carga - , determinada pela área projetada do veículo no solo. A classificação é feita por comparação de resultados na mesma categoria, o que significa que estar bem ou mal classificado não prevê necessariamente um consumo baixo ou alto (veja quadro), mas menor ou maior do que o concorrente. A adesão é voluntária, assim como a afixação da etiqueta.
Marketing
Com um dos melhores resultados do mercado, o Kia Picanto 1.0 obteve classificação A. Espertamente, a marca passou a anunciar o teste a seu favor, inclusive em peças publicitárias, e já comercializa o carro com a etiqueta. Mas, por enquanto, é a única a fazê-lo. Segundo o engenheiro José Alli Essmael, gerente técnico da Kia e responsável pela condução do programa dentro da empresa, a repercussão é positiva e mostra que a marca é engajada: "É uma ação de preservação ambiental e mostra transparência da empresa junto ao cliente".
Alli acrescenta que foi feita uma divulgação interna do programa e diz que o assunto é frequentemente abordado durante encontro com concessionários, mas não está prevista alguma ação específica. "Só a Kia fazendo, é pouco. Para o programa pegar mesmo, é necessário que mais fabricantes participem", continua. O fato de a participação não ser obrigatória, nem a etiquetagem, na opinião do engenheiro não é prejudicial ao programa: "Não acredito que os fabricantes estejam com receio de divulgar a informação. É que a primeira rodada foi muito corrida". Ele conta que foram anos de discussão até se chegar a um acordo de como os testes seriam feitos e houve muitos pontos polêmicos, como o fato de alguns carros serem testados com ar-condicionado e outros não. "Tendo ar, mesmo que desligado, aumenta o consumo, então o cliente deve saber se o carro testado tinha ar", observa.
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