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Embreagem - Bem menos do que deveria


Eduardo Aquino - Estado de Minas


Proprietários de Honda Fit reclamam do desgaste prematuro do sistema do monovolume, que, em um dos casos, durou apenas 22 mil quilômetros. Mas montadora alega mau uso

Euler Junior/EM/D.A Press - 03/06/08
Embreagem do Fit da corretora Doralice Andrade acabou com apenas 26 mil quilômetros

No fim de 2007, o arquiteto Lineu de Miranda Pereira dirigia o Honda Fit de placa HDV-2840, ano 2006/2007, de propriedade da sua esposa, a professora aposentada Ana Lúcia Alves Pereira, em uma viagem para Diamantina, na região Central de Minas, quando, ao tentar ultrapassar uma carreta, a embreagem simplesmente deixou de funcionar. "Não conseguia engatar a quarta marcha e os giros subiram muito", explica o arquiteto. O jeito foi encostar o carro e acionar o seguro, que providenciou carro reserva e reboque para levar o veículo à concessionária Auto Japan.

Lá, Ana Lúcia teve uma surpresa: o consultor técnico disse que a embreagem havia se desgastado devido a mau uso e que ela teria que pagar R$ 1,2 mil referente a peças e mão-de-obra para a troca do conjunto. "Acho um absurdo dizerem que foi mau uso, pois dirijo há muitos anos e nunca tive problemas com embreagem, e o carro somente é usado por mim ou pelo meu marido, que também já tem vários anos de carteira", reclama a professora. Mas, depois de algumas reclamações, o marido de Ana acabou autorizando o conserto.

Discussão
Alguns dias depois, quando foi retirar o carro, a professora deparou com uma discussão entre a corretora de imóveis Doralice Goulart Andrade e funcionário da concessionária Auto Japan. A corretora, que é proprietária de um Honda Fit 1.4, ano 2005/2006, reclamava do mesmo problema e do mesmo diagnóstico dado pela concessionária: desgaste prematuro da embreagem e mau uso, respectivamente. "Meu carro está com apenas 26 mil quilômetros e dirijo com o maior cuidado. Aliás, é o segundo Honda Fit que tenho. O primeiro vendi com 52 mil quilômetros, sem apresentar nenhuma problema", argumenta Doralice, que também recebeu uma conta de R$ 1,2 mil referente à troca do kit. As duas reclamaram, mas conseguiram apenas um desconto de 20% sobre o preço total do serviço, o que não foi aceito por Doralice. Ao ser questionada sobre os dois casos, a Honda alegou mau uso.

Resistente Mas o sistema de embreagem é bastante resistente e é preciso que o motorista faça um uso bem abusivo do conjunto para que ele se desgaste tão prematuramente. De acordo com o engenheiro mecânico José Roberto Campos, do laboratório de motores do Instituto Mauá, "não é comum o desgaste abaixo dos 30 mil quilômetros. Em condições normais, esse sistema pode ultrapassar tranqüilamente os 80 mil quilômetros, mesmo o veículo sendo usado constantemente no pesado trânsito urbano".

Algumas montadoras, inclusive a Honda, incluem o conjunto de embreagem (disco, platô e rolamento) entre os itens de desgaste normal do carro, que não são cobertos pela garantia. Mas, em casos de desgaste prematuro, o proprietário deve reclamar aos órgãos de defesa do consumidor, pois é comum os fabricantes dos veículos alegarem mau uso. O Código de Defesa do Consumidor garante a troca em caso de defeito de fabricação e a indenização por danos causados por este problema. Se, ao acionar judicialmente a montadora, o dono do carro tiver dificuldades para provar que o defeito é de fábrica, pode pedir a inversão do ônus da prova.

DICAS PARA A LONGEVIDADE

Cuidados para preservar o sistema de embreagem do carro: Não dirigir com o pé apoiado no pedal da embreagem. Os sistemas geralmente trabalham com uma folga que gira em torno de 10 mm (1 cm), mas os motoristas geralmente ultrapassam esse limite. Ao encostar no pedal, o motorista estará pressionando o diafragma do platô e abrindo o sistema de embreagem. Com isso, o disco vai começar a escorregar. Ao patinar, vai superaquecer o sistema e provocar desgaste prematuro do material de atrito; Outros fatores que podem acelerar o desgaste da embreagem (e de outros itens do carro) são: carregar peso além dos limites do veículo e ficar sempre com marcha engatada ou fazer "controle de embreagem" em súbida.

SINTOMAS DE PROBLEMAS

Quando a embreagem está no fim, ou bem próximo dele, o principal sintoma é a dificuldade em acioná-la. O pedal perde flexibilidade e exige mais esforço do motorista para acioná-lo. O condutor passa a ter dificuldades para arrancar, principalmente em subidas, e para trocar as marchas (neste caso, os engates são acompanhados de "arranhadas"). Além disso, o conjunto emite ruídos estranhos quando o motorista pisa no pedal.

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